Publicações


Tratamento de Águas

O tratamento de águas é componente indispensável da restauração ecológica e da regeneração possível dos ecossistemas, e a variação da disponibilidade hídrica e de formação de matéria orgânica ao longo das estações é também crucial para a saúde das populações e a velocidade da restauração. Relatórios apontam os níveis variáveis porém significativos de água desperdiçada em vazamentos de redes de saneamento, e que sobretudo em cidades pequenas e comunidades afastadas, raramente existe tratamento secundário de esgotos na rede pública, quando há rede pública instalada, o que mostra a grande quantidade de água e nutrientes vazados para lençóis freáticos e fluxos de água com contaminantes químicos e biológicos, além do desperdício de nutrientes.

Por outro lado, sistemas de baixo custo e alta eficiência podem ser utilizados em pequena escala, desde a escala da unidade familiar de habitação até agregados populacionais de cinco mil pessoas ou mais sem a exigência de longas e caras redes de bombeamento de esgotos. Estes sitemas incluem tratamento secundário e terciário, possuem baixa manutenção e de exigência técnica simples de operar.

A matéria orgânica e a água resultante desses sistemas é reutilizável pelas normas brasileiras e internacionais. E devido à proximidade entre o tratamento descentralizado e as fontes de produção de esgotos nas zonas periurbanas e rurais, investimentos em irrigação distribuída e em fertirrigação são muito menores do que em transposições, canalizações extensas e estações de bombeamento, fazendo com que o reúso da água tratada seja mais econômico, e mais importante, devolvendo a água e os nutrientes para a regeneração e construção dos solos agrícolas.

Construção de Solos

Tal como nos tratamentos de águas, solo e água juntos criam as condições físicas básicas para a restauração e a regeneração de florestas e do clima. Porém sem solo, sem matéria orgânica, sombra, evapotranspiração, sistemas de raízes, redes tróficas; sem ecossistemas funcionais e populações saudáveis, a ligaçao entre as florestas e o clima não podem prosperar. Por isso a construção dos solos é o segundo passo após o tratamento de águas. Para construir solos precisamos de zonas de sombra para prevenir evaporação excessiva, calor excessivo e mineralização excessiva, que por sua vez garantem a presença de redutores de velocidade de água de enxurradas, garantem a infiltração e a reserva hídrica nos solos superficiais e sub-superficiais. E nós precisamos da capacidade dos solos orgânicos em reter a água para prover vida e nutrientes complexos nas relações micorrízicas para as árvores, arbustos e todos os demais estratos combinados.

Florestas e Clima

Todo o trabalho de restauração ecológica na escala apropriada prevê a relação forte entre as florestas e o clima, e esta relação é baseada em um princípio científico simples: diferenças de temperatura engendram diferenças de pressão, que é necessária para converter o ar parado em ventos, que são o ar em movimento. Os ventos carregam umidade, seja na forma de vapor ou condensada, que são as nuvens. E as nuvens são necessárias para produzir chuva e neblina, e as noites úmidas e frescas produzem por sua vez a precipitação secundária na forma de orvalho. As florestas são fontes de partículas que reúnem o vapor de água em condensados, formando as nuvens, de modo que florestas biodiversas são reconhecidas pela sua capacidade de produzir seus próprios microclimas em ciclos hídricos curtos, que quando conjugados em mosaicos territoriais fazem as bombas bióticas. Daí o interesse crescente em florestas biodiversas como chave para lidar com as mudanças climáticas de forma benéfica, e aqui, nesta chave, entram as pessoas e as populações que convivem com a terra e mantém as florestas e seus territórios saudáveis.

Arranjos Territoriais

Arranjos territoriais são uma estratégia composta de aprimoramento do potencial de serviços, comércio, indústria e pesquisa em pequenas e médias escalas de produção e consumo, conectando as necessidades das áreas urbanas, periurbanas, rurais e protegidas.

Os arranjos territoriais são baseados nas redes já existentes, encontrando falhas de conectividade que bloqueiam a soberania local e a sustentabilidade em nível territorial. E com o uso de ferramentas e estratégias participativas de diagnóstico socioambiental e envolvimento sociocultural, reparar estas falhas e construir pontes entre as redes, interconectando-as através de plataformas e agendas comumente acordadas e construídas.

Portanto os arranjos territoriais são definidos aqui como o ato de interconectar necessidades, carências, potenciais, e as vontades, visões e expectativas das pessoas que vivem em um território.

Housing and Construction

No Brasil em particular e na América do Sul e Caribe em geral, bem como na África, o mundo rural possui centenas de milhares de casas, aldeias e vilarejos, muitos deles com séculos de existência, criando lugares e modos sde vida para milhões de pessoas em suas populações, culturas, etnias, aprendendo a adaptar-se nas permanentes mudanças nas paisagens. Porém nos últimos dois séculos, e especialmente nos últimos setenta anos, estas aldeias e vilarejos têm sido abandonados em escala crescente pelos seus habitantes, buscando por outras formas de viver ou mesmo sendo empurradas para fora de seus territórios, para sobreviver devido a conflitos por terra, água, recursos, ou devido a pressões exercidas pelo Estado, por corporações ou ambos em conjunto, que criam mudanças na legislação, desemprego, impedimento de acesso aos recursos fundamentais à produção e reprodução dos seus modos de vida. Isto fez com que dezenas de milhares destas aldeias e vilarejos estejam abandonados hoje, muitos em ruínas, com terras sem serem cuidadas e cultivadas, onde avançam o latifúndio, as apropriações irregulares de terra e a precariedade da lei.

Converter esta situação sistêmica em territórios saudáveis e restaurativos é um dos principais objetivos do trabalho: reconstruir e restaurar casas e povoados, proporcionar os meios para a reorganização e a saúde destes agregados populacionais em confluência com as terras ao redor, incorporando atratividade e frescor para jovens famílias, e uma opção justa e digna para migrantes, implementando fortes ecossistemas socioculturais e econômicos para a diversidade em serviços, conhecimentos, produtos e trabalhos em diversas áreas de especialidade.

Políticas Públicas em Tecnologias de Base Ecológica

Tecnologias de Base Ecológica têm boa aceitação e ótima publicidade, tanto por setores privados quanto atores públicos. No entanto, existe uma enorme distância entre a disponibilidade técnico-financeira destas tecnologias e a construção de políticas públicas para sua utilização, massificação, aprimoramento e redução de seus custos. O trabalho de publicações sobre as políticas públicas em tecnologias de base ecológica é sobretudo voltado à demonstração dos benefícios econômicos, seguindo os princípios de economia, eficiência, eficácia, para disponibilizar ao máximo as melhores práticas respeitando a prevenção e a precaução contra riscos e danos socioambientais e econômicos.

Evolução de Protocolos Internacionais de Meio Ambiente

Como mencionado antes, a pesquisa é uma das bases para o trabalho de aconselhamento da Ecotopias. Junto com os outros seis tópicos referidos acima, os protocolos internacionais de meio ambiente são um caminho claro e firme para trazer consciência e parcerias para consolidar o trabalho, de modo que o mapeamento contínuo de narrativas sobre a história e a evolução dos protocolos internacionais de meio ambiente nos permite estruturar uma narrativa positiva sobre o que estamos deixando de ver, sobre o que negligenciamos como sociedade, sobre o que estamos fazendo bem e devemos continuar.

Revisões em Redes Multiterritoriais e Continentais em Restauração Ecológica

Este programa de pesquisa é direcionado a manter ativa a percepção, o reconhecimento e o engajamento com outros projetos, esforços, redes e iniciativas que também estão realizando redes multiterritoriais e continentais, não apenas sobre mudanças climáticas, ações climáticas ou justiça climática, mas em áreas que também estão conectadas com os nossos projetos e que podem trazer conhecimento, informações, contatos e parcerias.

Restauração Ecológica Para nós, a Restauração Ecológica exige envolvimento e compreensão ecológica em profundidade, a capacidade de relacionar solo e clima, economia e sociedade, intenção e gesto, causa, consequência e pessoas que participam das consequências dos projetos. Restauração Ecológica pode envolver o plantio de sementes e mudas no solo, mas se é apenas isto, não é restauração, e nem é ecológica. A definição precisa do termo exige o entendimento de que são as pessoas que fazem os territórios, e que território, cultura e socioambiente são análogos inseparáveis, de modo que é indispensável perguntar, participar da compreensão da pergunta, e participar da compreensão da resposta sobre o que é preciso e devido restaurar, e do que é necessário sustentar. Todos os componentes de tecnologia biofísica são derivados daqui, e as definições de métodos e técnicas de restauração ecológica mais apropriados para um território sempre exigem a compreensão desta pergunta.